Depois de dois dias na maternidade, chegou a hora de levar o Antônio para casa. Eu segurava o bebê no colo, o coração apertado, sem saber direito se eu conseguiria dar conta. O Bruno, meu marido, instalou a cadeirinha com um cuidado de ourives e me olhou: “Vamos, mãe”. E aquele “mãe” me atravessou.
A primeira noite foi um misto de cansaço e fascínio. Antônio acordava de hora em hora, e eu, deitada, olhava para ele no berço como quem contempla um mistério. Era tanto amor que chegava a doer. Liguei para a minha mãe às três da manhã, chorando sem motivo, e ela, com a voz serena de quem já passou por isso, me ensinou a rezar: “Entrega o sono dele a Nossa Senhora, filha. A mãe de Deus também cuidou de um bebê que chorava de noite”.
Comecei a rezar baixinho, com o Antônio no colo, e algo se acalmou em mim. Entendi que a maternidade não é saber tudo, é aprender tudo todos os dias. A minha avó sempre dizia que o colo de mãe é o primeiro céu que a gente conhece. Naquela madrugada, senti isso na pele: eu era o céu daquele menino, e Deus me sustentava para que eu fosse.
Hoje, quando uma mãe me conta dos medos da primeira semana, eu sorrio e digo a verdade que aprendi: a gente não nasce pronta, a gente vai sendo feita mãe, noite após noite, oração após oração, abraço após abraço. E a família, essa bênção que começa com um homem e uma mulher dizendo sim a Deus, é o berço onde tudo isso acontece.
