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    Fé e espiritualidade

    A oração que atravessou o meu parto

    Helena Costa

    Eu tinha medo do parto. Todos os relatos que lia eram ou de dor extrema ou de histórias milagrosas que pareciam mentira. Quando as contrações começaram, às quatro da manhã, meu marido, o João, acendeu uma vela no quarto e colocou a imagem de Nossa Senhora do Parto na cabeceira. Foi a coisa mais linda: ele ajoelhou, de mãos dadas comigo, e começou a rezar o terço.

    Eu não sei explicar, mas a cada Ave-Maria a dor ficava mais suportável. Não porque a dor fosse menor, mas porque eu já não estava sozinha nela. “Rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte” — e eu pensava: a hora do nascimento também é uma hora em que a gente precisa de uma mãe. E eu tinha duas: a minha e a do céu.

    O parto foi longo, mas a Clara nasceu aos gritos de “Ave Maria” entoados por uma sala inteira de família. Quando a colocaram no meu peito, chorei de gratidão. Naquela cena estava tudo o que eu acredito: a vida é sagrada desde o primeiro instante, e uma família unida em oração é a maior herança que uma criança pode receber.

    Hoje a Clara tem três anos e reza o terço com os dedinhos enrolados nas contas. Quando ela pergunta por que mamãe chora de alegria no dia do aniversário dela, eu conto: porque foi em meio a uma oração que Deus me deu o maior presente da minha vida. A fé não me livrou da dor, me deu a força para atravessá-la. E essa é uma história que eu quero contar para os meus filhos e netos.

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