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    Gestação

    Infecção urinária na gestação: sinais e riscos

    Uma das complicações mais comuns da gravidez, e também uma das mais fáceis de tratar quando identificada cedo

    Andressa Danello6 min de leitura
    Mulher bebendo água sozinha, momento de cuidado pessoal

    Mulher bebendo água sozinha, momento de cuidado pessoal

    A infecção urinária é uma das complicações mais comuns da gestação — e uma das mais importantes de identificar cedo, já que muitas vezes ocorre sem sintomas evidentes. É por isso que o exame de urina de rotina faz parte de praticamente todo protocolo de pré-natal, mesmo quando a gestante se sente bem.

    Este artigo explica por que a gravidez aumenta a chance de infecção urinária, quais sinais merecem atenção, e por que o tratamento precoce é tão importante para a saúde da mãe e do bebê.

    Por que a gestação aumenta o risco

    Mudanças hormonais e o aumento do útero durante a gravidez alteram o funcionamento do trato urinário: a progesterona relaxa a musculatura dos ureteres, e o útero em crescimento pode comprimir a bexiga, dificultando o esvaziamento completo. Essa combinação favorece a multiplicação de bactérias e explica por que a infecção urinária é tão mais frequente na gestação do que fora dela.

    Certo

    A bacteriúria assintomática (presença de bactérias na urina sem sintomas) é rastreada rotineiramente nos exames de pré-natal justamente porque é comum e tratável — identificar e tratar precocemente evita que ela evolua para um quadro mais sério, mesmo que a gestante não sinta nada de diferente.

    Sinais que podem indicar infecção urinária

    • Ardência ou dor ao urinar;

    • Vontade frequente de urinar, mesmo em pequena quantidade;

    • Urina com cheiro forte, turva ou com sangue;

    • Dor ou pressão na região pélvica ou parte baixa do abdômen;

    • Sensação de bexiga não completamente esvaziada após urinar.

    Atenção

    Sintomas urinários persistentes, mesmo leves, devem sempre ser relatados ao obstetra na próxima consulta, ou antes se piorarem — como muitos casos são assintomáticos, qualquer sinal diferente do habitual vale a pena investigar com um exame de urina simples.

    Quando pode evoluir para algo mais grave

    Alerta

    Febre, calafrios, dor lombar intensa (geralmente de um lado só) e náusea associados a sintomas urinários são sinais de que a infecção pode ter subido para os rins (pielonefrite), uma complicação séria na gravidez que exige atendimento médico imediato, muitas vezes com necessidade de internação para tratamento endovenoso.

    Como é feito o diagnóstico e tratamento

    1. Exame de urina (urina tipo 1 e urocultura) confirma a presença de infecção e identifica a bactéria envolvida;

    2. O tratamento é feito com antibióticos considerados seguros na gestação, escolhidos pelo obstetra conforme o resultado da cultura;

    3. É importante completar todo o tratamento prescrito, mesmo que os sintomas melhorem antes do fim;

    4. Um novo exame de urina costuma ser solicitado após o tratamento, para confirmar que a infecção foi eliminada.

    Riscos de infecção urinária não tratada

    Além do desconforto, a infecção urinária não tratada na gestação está associada a maior risco de trabalho de parto prematuro e baixo peso ao nascer, entre outras complicações. Por isso o rastreio e o tratamento precoce, mesmo em casos assintomáticos, são recomendados em praticamente todos os protocolos de pré-natal.

    Prevenção no dia a dia

    Beber bastante água, urinar assim que sentir vontade (sem segurar), urinar após relações sexuais, e fazer a higiene íntima sempre da frente para trás são medidas simples que ajudam a reduzir o risco de infecção urinária durante toda a gestação. Manter uma boa

    alimentação na gestação e boa hidratação também contribui para a saúde do trato urinário como um todo.

    Diferenciando de outros desconfortos da gestação

    Vale diferenciar os sintomas de infecção urinária de outros desconfortos comuns da gravidez, como a

    tontura na gestação, que tem causas distintas, e sempre relatar o conjunto de sintomas ao médico, em vez de tentar diagnosticar sozinha em casa qual é a origem do desconforto.

    Vale também atenção redobrada se houver sinais que possam sugerir

    trabalho de parto prematuro, já que infecções urinárias não tratadas estão entre os fatores associados a esse risco, reforçando a importância de tratar qualquer infecção com atenção desde os primeiros sinais.

    Sinal

    Costuma ser tratável em casa

    Vale atendimento imediato

    Ardência leve ao urinar

    Sim, com avaliação médica

    —

    Vontade frequente e urgente de urinar

    Sim, com avaliação médica

    —

    Febre + dor lombar intensa

    Não

    Sim, urgente

    Sangue na urina persistente

    Não

    Sim

    • Fazer os exames de urina de rotina do pré-natal

    • Relatar qualquer sintoma urinário ao obstetra

    • Completar todo o tratamento antibiótico prescrito

    • Beber bastante água ao longo do dia como prevenção

    Cuidando da saúde geral durante o tratamento

    Enquanto trata a infecção urinária, vale manter o acompanhamento de outros aspectos do pré-natal normalmente, incluindo o rastreio de

    diabetes gestacional e outros exames de rotina, já que uma condição não substitui a atenção às demais. O pré-natal funciona melhor como um acompanhamento integrado, não como uma sequência de problemas isolados.

    Descansar adequadamente e cuidar da

    saúde mental na gestação também ajuda o corpo a se recuperar mais rápido de qualquer infecção, já que o estresse excessivo pode impactar indiretamente a imunidade.

    Outros exames de rotina que merecem atenção

    O pré-natal é composto por diversos rastreios além do exame de urina, como o controle de

    anemia na gestação e a prevenção da

    toxoplasmose na gestação, que também dependem de exames laboratoriais periódicos. Conhecer o que esperar já no

    primeiro trimestre da gestação ajuda a entender por que tantos exames são solicitados logo no início do acompanhamento.

    Manter o

    ganho de peso adequado na gestação e cuidar da qualidade do

    sono durante a gestação são outros pilares do bem-estar geral, que se somam ao cuidado com a saúde urinária para uma gestação mais tranquila.

    O papel do parceiro e da rede de apoio

    Ter alguém para acompanhar às consultas, ajudar a lembrar dos horários dos medicamentos prescritos e apoiar no dia a dia faz diferença na adesão ao tratamento, especialmente em fases da gestação em que o cansaço e o desconforto físico já estão mais presentes. Comunicar claramente ao parceiro ou à rede de apoio sobre a importância de completar o tratamento até o fim, mesmo que os sintomas melhorem antes, ajuda a evitar recaídas.

    Lembrar que buscar ajuda médica diante de qualquer sintoma urinário não é exagero — é exatamente para isso que o pré-natal existe, e cada consulta é uma oportunidade de esclarecer dúvidas e garantir que tanto a mãe quanto o bebê sigam bem ao longo de toda a gestação.

    Infecções recorrentes: quando investigar mais a fundo

    Gestantes que apresentam mais de um episódio de infecção urinária ao longo da gravidez podem precisar de uma investigação mais detalhada, incluindo avaliação da anatomia do trato urinário e, em alguns casos, uso de antibiótico profilático em doses baixas até o fim da gestação, sempre sob orientação do obstetra. Essa recorrência não é incomum e não significa que algo foi feito errado — apenas que aquele organismo específico responde de forma diferente às mudanças da gravidez, exigindo um acompanhamento um pouco mais próximo.

    Continue lendo: Alimentação na gestação: o que comer e evitar, Tontura na gestação: causas e cuidados, Sinais de trabalho de parto prematuro, Diabetes gestacional: o que você precisa saber, Ansiedade materna: sinais e como lidar e Pré-eclâmpsia: sinais de alerta na gestação.

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    Sobre a autora

    Andressa Danello

    Olá! Eu sou a Andressa Danello, mãe de três meninas: a Celina, de 3 anos, a Isabel, de 4 meses, e a Maria Teresa, que mora no céu. Sou casada com o Bruno Danello, orientador familiar com foco em paternidade, e é com ele que divido a vida, a casa e a criação das meninas. Escrevo no Vocação de Mãe com a honestidade que eu mesma procurava quando me tornei mãe: informação confiável, acolhimento sem julgamento e espaço para todas as emoções — inclusive as difíceis. A partida da nossa Maria Teresa mudou completamente a minha vida e, por incrível que pareça, para melhor: me aproximei ainda mais dos bons valores e das virtudes. Falar sobre isso, com leveza e verdade, é também uma forma de cuidar de quem atravessa o mesmo caminho. Neste espaço, você também vai encontrar boas reviews e indicações de produtos pensados para as mães — aquilo que de verdade ajuda a melhorar a rotina da família, a casa e o dia a dia. Só o que vale a pena, sem lista infinita de enxoval. Aqui, nenhuma mãe precisa se sentir sozinha: se o seu dia foi longo, se o bebê não dormiu, se o coração está apertado, você está no lugar certo.

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