O bebê acorda com o olhinho grudado de remela, e o cantinho parece sempre úmido, com lágrima escorrendo mesmo sem choro. Muitos pais pensam logo em conjuntivite. Mas, nos primeiros meses, uma das causas mais comuns é bem mais simples: o canal lacrimal, que leva a lágrima do olho para o nariz, ainda está entupido ou estreito.
Este artigo explica por que o bebê fica remelando, como diferenciar o canal lacrimal obstruído de uma conjuntivite, como fazer a limpeza e a massagem com segurança e quais sinais pedem pediatra ou oftalmologista. Se o quadro lembrar uma infecção, vale conferir também o guia de conjuntivite no bebê e na criança.
Por que o olho do bebê fica remelando
As lágrimas são produzidas o tempo todo para proteger o olho e escoam por um pequeno canal até o nariz. Em muitos recém-nascidos, a parte final desse canal ainda não abriu completamente. Sem saída, a lágrima se acumula, o olho fica molhado e a remela se forma, principalmente depois do sono. Isso se chama obstrução do ducto lacrimal, ou dacriocistite quando há infecção.
É comum: atinge uma parte importante dos recém-nascidos e, em geral, melhora sozinha até os 6 a 12 meses. Pode afetar um olho só ou os dois.
Canal entupido ou conjuntivite? Como diferenciar
Sinal | Canal lacrimal entupido | Conjuntivite |
|---|---|---|
Olho vermelho | Geralmente branco, sem vermelhidão forte | Vermelho, inflamado |
Lágrima | Escorre o tempo todo | Nem sempre aumenta |
Remela | Branca ou amarelada, vai e volta | Abundante, espessa e amarelo-esverdeada |
Pálpebras | Sem inchaço, às vezes grudam ao acordar | Inchadas, coladas |
Incômodo | Pouco ou nenhum | Coceira, irritação, luz incomoda |
Contágio | Não é contagioso | Pode passar para outras pessoas |
A diferença entre as duas condições nem sempre é clara. Se houver dúvida, o pediatra examina o bebê e orienta. Nos casos de conjuntivite viral ou bacteriana, a higiene das mãos e das toalhas evita que a infecção passe para a família.
Como limpar o olho do bebê com segurança
Lave bem as mãos com água e sabão.
Use gaze ou algodão limpo embebido em soro fisiológico ou água filtrada e fervida, já fria.
Limpe do canto de dentro para o de fora do olho, em um só movimento.
Use uma gaze nova para cada passada e para cada olho.
Seque com delicadeza.
Nunca use chá, leite materno, colírios ou pomadas sem indicação médica.
Limpe quando a remela aparecer, geralmente na troca de fralda da manhã e ao acordar da soneca. Se o bebê chorar muito ou resistir, faça com calma, durante um momento tranquilo, como depois da mamada. Dicas para o banho e os cuidados diários estão no guia do banho do bebê.
A massagem do canal lacrimal
O pediatra ou o oftalmologista pode orientar uma massagem simples para ajudar a desobstruir o canal. Com o dedo indicador limpo e a unha curta, faça uma pressão suave no cantinho do olho, ao lado do nariz, e deslize o dedo para baixo, em direção à narina, duas a três vezes ao dia. A técnica exata deve ser ensinada por um profissional, para não machucar o bebê nem espalhar uma infecção.
Se o canal não abrir até cerca de 1 ano, o oftalmologista pode indicar um procedimento simples para desobstruí-lo. A grande maioria dos bebês, porém, resolve antes disso, sem nenhuma intervenção.
Semáforo do olho remelando no bebê: o que é esperado, o que observar e quando procurar ajuda
Sinal tranquilizador: o olho lacrimeja e junta um pouco de remela clara, sem vermelhidão nem inchaço, e o bebê está bem, mamando e com o olhar tranquilo.
Sinal de atenção: a remela é abundante, amarelo-esverdeada, as pálpebras ficam coladas, o olho está vermelho ou a lágrima persiste depois dos 12 meses; marque consulta com o pediatra ainda hoje.
Sinal de alerta: o canto do olho está muito inchado, vermelho e dolorido, o bebê tem febre, está muito irritado ou o bebê é recém-nascido com olho vermelho e secreção. Procure atendimento médico imediatamente.
Quando o olho vermelho e a remela pedem atenção
Nos primeiros dias de vida, qualquer secreção com olho vermelho precisa ser avaliada, porque o recém-nascido ainda tem defesas imaturas. A febre nessa idade também merece cuidado, como explica o artigo sobre febre no bebê. Já o inchaço no canto do olho, com dor, pode indicar infecção do saco lacrimal e precisa de tratamento rápido.
Outros sinais que justificam avaliação são sensibilidade intensa à luz, olho que não abre, pupila diferente do outro olho ou olhos que parecem desalinhados. Veja também o artigo sobre o estrabismo infantil.
Remela, resfriado e alergia
A remela também pode vir junto com resfriado, porque o canal lacrimal se liga ao nariz. Nariz entupido e congestão podem piorar o lacrimejamento. Manter o nariz limpo com soro fisiológico, como mostra o artigo sobre nariz entupido no bebê, ajuda também os olhinhos. Se há coceira, espirros e olho vermelho com contato com poeira, pelos ou ácaros, pode haver alergia, tema que o pediatra avalia.
Em bebês com pele sensível, o contorno do olho pode ficar irritado com a limpeza frequente. Seque bem e evite esfregar. Se houver placas de pele seca, veja o artigo sobre a dermatite atópica no bebê.
Cuidados para evitar o contágio
Lave as mãos antes e depois de limpar o olho do bebê.
Use toalha, lençol e fronha separados e troque com frequência.
Não compartilhe gaze, algodão nem colírios.
Afaste o bebê de pessoas com olhos vermelhos e remelentos.
Mantenha as unhas do bebê curtas para evitar que ele coce o olho.
Esses cuidados valem especialmente se há outras crianças em casa ou na creche. O artigo sobre a adaptação à creche lembra como a higiene faz diferença na rotina coletiva.
O que não fazer com o olho do bebê
Algumas práticas antigas continuam circulando e devem ser evitadas: pingar leite materno, passar chá de camomila ou de outras ervas, usar colírios de adulto, apertar o olho para tirar a remela ou aplicar pomadas sem receita. Elas podem irritar, contaminar e atrasar o tratamento correto. Também não tente desobstruir o canal com instrumentos ou pressão forte. A orientação médica evita complicações e traz mais tranquilidade para a família.
Se o pediatra receitar colírio ou pomada antibiótica, siga a dose e o tempo indicados, mesmo que a melhora apareça antes. Guarde o frasco longe do calor e confira a validade depois de aberto.
Checklist do olho remelando
Lavar as mãos antes de tocar no olho
Limpar com gaze e soro, do canto de dentro para fora
Usar uma gaze nova para cada olho
Não usar chá, leite ou colírio sem indicação
Levar o bebê ao pediatra se a remela mudar de cor
Ficar atenta aos sinais do semáforo acima
Olhinhos remelando preocupam, mas o canal lacrimal entupido costuma resolver sozinho, com paciência e higiene. Observe a cor da remela, a vermelhidão e o jeito do bebê, e converse com o pediatra sempre que algo mudar. Assim você cuida com calma e sabe exatamente quando buscar ajuda.
Continue lendo: Conjuntivite no bebê e na criança, Estrabismo infantil, Nariz entupido no bebê, Dermatite atópica no bebê, Banho do bebê e Febre no bebê.
