O pique-esconde acabou com um tombo, a criança chora, a boca sangra um pouco e, de repente, o dente da frente está mole, lascado ou no chão. Poucas cenas deixam uma mãe tão aflita quanto essa. A boa notícia é que a maioria dos tombos na boca se resolve bem quando a família sabe o que fazer nos primeiros minutos e leva a criança ao dentista.
Neste artigo você vai entender a diferença entre dente de leite e dente permanente, o que fazer em cada situação, o que guardar e o que nunca fazer, e quais sinais pedem atendimento imediato. Se a criança é pequena e ainda não foi ao consultório, vale ler antes sobre a primeira consulta ao dentista.
Por que não dá para ignorar um dente que caiu ou quebrou
Mesmo quando é dente de leite, a raiz fica muito perto do germe do dente permanente, que está se formando logo abaixo da gengiva. Uma pancada forte pode afetar esse germe e deixar o dente definitivo manchado ou com formato diferente anos depois. Por isso, até o trauma que parece pequeno merece uma avaliação.
Os acidentes são comuns entre 1 e 6 anos, fase em que a criança engatinha, corre, sobe em tudo e ainda não mede bem o perigo. Quedas de cama, de cadeirinha e de bicicleta estão no topo da lista. O texto sobre o bebê que caiu da cama ou do colo explica como avaliar a queda como um todo, e não só a boca.
Dente de leite ou permanente: a primeira pergunta
Antes de agir, descubra qual é o dente. Os dentes de leite são os 20 primeiros, que nascem a partir dos seis meses e costumam cair a partir dos seis anos. Os primeiros permanentes a aparecer, em geral, são os incisivos de baixo e os molares de trás, por volta dessa idade. Se a criança tem menos de cinco anos, o dente que caiu quase certamente é de leite.
Quando a idade não deixa claro, pense no tamanho e na cor: dente permanente é maior e um pouco mais amarelado. Na dúvida, trate como permanente e procure o dentista com urgência.
O que fazer em cada situação, passo a passo
Situação | Dente de leite | Dente permanente |
|---|---|---|
Dente saiu inteiro | Não recolocar na boca. Guardar em leite ou soro e levar ao dentista. | Segurar só pela coroa, sem tocar na raiz, e procurar o dentista na hora. Quanto mais rápido, melhor. |
Dente quebrou | Guardar o pedaço em leite ou soro, se achar, e marcar consulta. | Guardar o pedaço em leite ou soro e ir ao dentista no mesmo dia. |
Dente mole ou torto | Não mexer. Marcar avaliação logo. | Atendimento urgente. Não forçar para o lugar. |
Dente escureceu depois da pancada | Marcar consulta, pode ser sinal de lesão interna. | Marcar consulta, pode precisar de tratamento. |
Gengiva ou lábio cortado | Pressionar com gaze limpa e avaliar. | Pressionar com gaze limpa e avaliar. |
O motivo de não recolocar o dente de leite é proteger o permanente: forçar a raiz de volta pode machucar o germe. Já o permanente, quando sai por inteiro, muitas vezes pode ser reimplantado pelo dentista, e o tempo fora da boca faz muita diferença. Por isso a regra é correr, de preferência em menos de uma hora.
Como transportar o dente ou o pedaço quebrado
Segure o dente pela coroa, a parte que aparece na boca, e evite encostar na raiz.
Se estiver sujo, enxágue rapidamente com soro fisiológico, sem esfregar, sem sabão e sem álcool.
Guarde em um copinho com leite ou soro fisiológico. Na falta, em um pouco de saliva da própria criança, nunca em água da torneira.
Leve junto os pedaços quebrados que encontrar, o dentista pode usá-los.
Anote a hora do acidente e como ele aconteceu; se houve queda de altura, veja também o texto sobre quando ir ao pronto-socorro.
Primeiros cuidados na boca depois do susto
Acalme a criança primeiro: um colo firme e uma voz tranquila diminuem o choro e o sangramento. Faça um bochecho suave com água limpa e use gaze ou pano limpo para pressionar o local que sangra. Compressa fria por fora da boca ajuda no inchaço. Se o sangramento vem do nariz, o artigo sobre sangramento nasal na criança traz o passo a passo.
Não dê remédio por conta própria nem coloque produtos caseiros na gengiva. Quem indica analgésico e dose é o pediatra ou o dentista. Se a criança respira mal, vomita ou fica muito sonolenta, deixe o dente de lado e procure um pronto-socorro.
Semáforo do trauma dental: o que é esperado, o que observar e quando procurar ajuda
Sinal tranquilizador: a criança bateu a boca, chorou e se acalmou, o dente está firme e no lugar, o sangramento parou depois de alguns minutos e ela volta a brincar e a beber; mesmo assim, vale marcar uma avaliação.
Sinal de atenção: o dente ficou mole, torto, lascado ou mais escuro nos dias seguintes, a gengiva continua inchada, há dor ao mastigar ou aparece uma bolinha na gengiva; procure o dentista em até 24 horas.
Sinal de alerta: o dente permanente saiu inteiro, o sangramento não para depois de 10 minutos de pressão, houve batida forte na cabeça, desmaio, vômitos, dificuldade para respirar ou pedaço de dente que possa ter sido engolido ou aspirado. Procure atendimento de urgência imediatamente.
E se o dente for engolido?
Se a criança engasgou, tosse muito ou respira com dificuldade, siga as orientações de engasgo no bebê e na criança pequena e chame o socorro. Se não houve falta de ar, mas você não encontra o dente, o pronto-socorro pode pedir um raio-X para ter certeza de onde ele foi parar.
Como o dentista cuida depois
O tratamento depende do dente e do tipo de lesão. Pode ser só observação, uma contenção para firmar o dente, a restauração de um pedaço quebrado ou, em casos graves de dente de leite, a extração. Em geral há retornos de acompanhamento por meses, para ver se o dente escurece, se aparece infecção ou se o permanente nasce sem alterações.
Quando o dente de leite da frente é perdido cedo demais, a criança pode ter dificuldade com alguns sons, e a mãe se pergunta se vai atrapalhar a fala. Converse com o dentista e com o pediatra sobre isso, e veja também o texto sobre chupeta e fala, que aborda a relação entre boca e linguagem.
Como evitar o próximo tombo
Proteger a casa: portões nas escadas, tapetes antiderrapantes e quinas protegidas; o guia para organizar a casa com o bebê ajuda.
Escolher bem os itens de segurança, como a trava de alavanca ou de geladeira e o portão de segurança.
Não deixar a criança correr com chupeta, mamadeira, escova ou brinquedo duro na boca.
Usar capacete na bicicleta e cadeirinha com cinto sempre.
Se o esporte tem contato, perguntar ao dentista sobre protetor bucal.
Cuidar da higiene diária, porque dente forte aguenta melhor o impacto; o texto sobre higiene bucal do bebê e o de cárie na primeira infância mostram como.
Conversar com a criança depois do susto
Muitas crianças ficam com medo do dentista depois de um acidente. Explique de forma simples o que vai acontecer, sem mentir e sem prometer que não vai doer nada. Uma oração curta antes de sair de casa, para as famílias que rezam, também acalma tanto a criança quanto a mãe. Se a causa do tombo foi briga com um irmão ou amigo, aproveite para conversar sobre limites, como no artigo sobre a criança que bate.
Se o dente caiu e o sorriso ficou diferente, reforce que isso é passageiro e que a criança continua linda. Evite apelidos e brincadeiras que possam envergonhá-la na escola. E mantenha a escovação com cuidado, por exemplo com a escova indicada neste comparativo de escovas de dente infantis.
Checklist de trauma dental na infância
Acalmar a criança e lavar a boca com água limpa
Descobrir se o dente é de leite ou permanente
Guardar dente ou pedaço em leite ou soro
Anotar a hora e a causa do acidente
Ligar para o dentista e agendar a avaliação
Ficar atenta aos sinais do semáforo acima
Um dente que cai ou quebra assusta, mas com calma, informação e ajuda profissional a imensa maioria das crianças se recupera bem. Observe, acolha e não adie a consulta: esse cuidado hoje protege o sorriso de amanhã.
Continue lendo: Primeira consulta ao dentista do bebê, Cárie na primeira infância, Higiene bucal do bebê, Bruxismo infantil, Bebê que caiu da cama ou do colo e Escolher o pediatra do bebê.
