Os primeiros dias depois do parto são um turbilhão de emoções, cansaço e mudanças no corpo. Nesse período, sentir calafrios, suar à noite ou ter a temperatura um pouco mais alta pode ser comum, principalmente quando o leite desce. Mas a febre no pós-parto também pode ser o primeiro sinal de uma infecção que precisa de tratamento rápido.
Este artigo explica quais são as causas mais frequentes de febre no puerpério, como diferenciar o que é esperado do que é sinal de alerta e quando procurar atendimento. Se você está vivendo essa fase, vale ler também o guia sobre o puerpério e os primeiros 40 dias, que mostra o que esperar da recuperação.
O que é considerado febre no pós-parto
Em geral, considera-se febre uma temperatura axilar igual ou acima de 37,8 °C. Nas primeiras 24 horas depois do parto, uma elevação leve pode acontecer pelo esforço e pela desidratação. A febre que aparece depois desse período, ou que dura mais de um dia, merece atenção e deve ser comunicada ao médico.
Ter um termômetro em casa e anotar os horários das medições ajuda muito, tanto para você quanto para a equipe que vai avaliar. Sentir o corpo quente ao toque não é suficiente para saber se há febre de verdade, já que suor noturno e ondas de calor são comuns nessa fase por causa das mudanças hormonais.
Causas mais comuns de febre no puerpério
Ingurgitamento mamário, quando o leite desce e as mamas ficam muito cheias, como explica o artigo sobre leite empedrado.
Mastite, inflamação da mama que pode virar infecção; veja os sinais no artigo sobre mastite na amamentação.
Endometrite, infecção do útero, mais comum depois de cesárea ou parto prolongado.
Infecção urinária, favorecida pelo uso de sonda e pelas mudanças do pós-parto.
Infecção na cicatriz da cesárea ou nos pontos, tema dos artigos sobre recuperação da cesárea e cicatrização da episiotomia.
Trombose, que pode causar febre baixa junto com dor e inchaço na perna, como mostra o artigo sobre trombose no pós-parto.
Febre e amamentação
Muitas mães têm medo de amamentar com febre, mas na maioria dos casos isso não só é possível como é recomendado. Na mastite, por exemplo, esvaziar a mama é parte do tratamento. O leite continua seguro para o bebê, e as defesas que o seu corpo produz passam para ele pelo leite.
Se for preciso usar remédio para febre ou antibiótico, o médico vai escolher um que seja compatível com a amamentação. O artigo sobre medicamentos durante a amamentação explica como funciona essa avaliação.
Sinais que acompanham a febre e ajudam a identificar a causa
Sinal | Possível origem | O que fazer |
|---|---|---|
Mama dura, vermelha e dolorida | Ingurgitamento ou mastite | Esvaziar a mama e procurar o médico se não melhorar |
Sangramento com mau cheiro e dor no baixo ventre | Endometrite | Atendimento no mesmo dia |
Ardência ao urinar | Infecção urinária | Consulta para exame de urina |
Cicatriz vermelha, quente ou com secreção | Infecção da ferida | Avaliação médica rápida |
Perna inchada e dolorida | Trombose | Pronto-socorro imediatamente |
Observar também o sangramento pós-parto, os chamados lóquios, ajuda a perceber mudanças. O sangramento deve diminuir e clarear ao longo das semanas, sem cheiro forte.
Semáforo da febre no pós-parto: o que é esperado, o que observar e quando procurar ajuda
Sinal tranquilizador: a temperatura sobe levemente nas primeiras 24 horas ou quando o leite desce, mas melhora com descanso, hidratação e esvaziamento das mamas, sem outros sintomas.
Sinal de atenção: a febre passa de 37,8 °C e dura mais de um dia, ou vem com mama vermelha e dolorida, ardência ao urinar ou dor na cicatriz; entre em contato com o obstetra ainda hoje.
Sinal de alerta: há febre alta com calafrios, sangramento com mau cheiro, dor forte na barriga, perna inchada, falta de ar, confusão ou mal-estar intenso. Procure a maternidade ou o pronto-socorro imediatamente.
Como se cuidar em casa enquanto observa
Beber bastante água e manter uma alimentação leve.
Descansar sempre que o bebê dormir e aceitar ajuda nas tarefas da casa.
Continuar amamentando e esvaziar bem as mamas.
Lavar as mãos antes de cuidar da cicatriz ou dos pontos.
Trocar os absorventes com frequência.
Usar remédio para febre apenas com orientação médica.
Se possível, peça a alguém de confiança para ficar com o bebê por algumas horas enquanto você dorme. O repouso de verdade ajuda o corpo a se defender e acelera a recuperação, seja qual for a causa da febre.
O marido e a família têm papel importante nesse momento, assumindo os cuidados com a casa e com o bebê para que a mãe descanse. Se a febre vier acompanhada de tristeza profunda, confusão ou comportamento muito diferente do habitual, procure ajuda imediatamente, porque pode haver outras causas, como a psicose puerperal.
Como medir a temperatura do jeito certo
Use um termômetro digital na axila, com a pele seca, e espere o aviso sonoro antes de ler o resultado. Evite medir logo depois do banho, de amamentar ou de ficar muito agasalhada, porque esses momentos podem alterar a leitura. Se der um valor alto, espere cerca de 20 minutos em repouso e meça de novo para confirmar.
Anote a temperatura, o horário e os sintomas que vierem junto, como dor nas mamas, ardência ao urinar ou mudança no sangramento. Essas informações ajudam muito o médico a identificar a causa pelo telefone ou na consulta. Termômetros de testa são práticos para o bebê, mas para a mãe o digital de axila costuma ser mais confiável.
Por que não esperar passar sozinha
Infecções no pós-parto evoluem rápido e, quando tratadas cedo, costumam responder muito bem a antibióticos. Esperar demais pode levar a complicações sérias. Por isso, a regra é simples: febre que dura mais de um dia ou vem com outros sintomas precisa de avaliação, mesmo que você ache que é só cansaço.
Na consulta de retorno do pós-parto, conte ao médico se teve febre em algum momento, mesmo que já tenha passado. Isso ajuda a equipe a acompanhar a sua recuperação no pós-parto com mais segurança.
Checklist da febre no pós-parto
Ter um termômetro em casa
Anotar a temperatura e o horário
Observar mamas, cicatriz e sangramento
Continuar amamentando
Beber água e descansar
Ficar atenta aos sinais do semáforo acima
Cuidar de um recém-nascido não significa esquecer de você. Prestar atenção ao seu corpo nessas primeiras semanas é também uma forma de cuidar do seu filho, que precisa de uma mãe saudável e amparada para crescer bem.
Continue lendo: Puerpério e os primeiros 40 dias, Mastite na amamentação, Trombose no pós-parto, Sangramento pós-parto e Recuperação da cesárea.
