Notar um pequeno abaulamento saindo do umbigo do bebê — que aumenta quando ele chora ou faz força e some quando está relaxado — costuma assustar bastante os pais na primeira vez. Na maioria das vezes, trata-se de uma hérnia umbilical, uma condição muito comum e, geralmente, sem gravidade.
Este artigo explica o que é a hérnia umbilical, por que ela acontece, o que costuma ocorrer com o tempo, e em que situações vale buscar avaliação médica com mais atenção.
O que é a hérnia umbilical e por que acontece
Durante a gestação, o cordão umbilical passa por uma abertura na parede abdominal do bebê. Depois do nascimento, essa abertura costuma se fechar sozinha nas primeiras semanas ou meses de vida. Quando ela não se fecha completamente, uma pequena parte do tecido abdominal pode se projetar para fora nessa região, formando o abaulamento característico da hérnia umbilical.
A hérnia umbilical é extremamente comum em bebês, especialmente em prematuros, e na grande maioria dos casos se resolve sozinha até os 1 a 2 anos de idade, conforme a musculatura abdominal se fortalece — não costuma causar dor nem exigir intervenção na maior parte das vezes.
Como identificar
Abaulamento macio na região do umbigo, que aumenta ao chorar, tossir ou fazer força para evacuar;
O abaulamento diminui ou desaparece quando o bebê está deitado e relaxado;
Geralmente indolor — o bebê não demonstra desconforto ao toque na região;
Pode variar de tamanho, desde muito pequeno até alguns centímetros de diâmetro.
Embora a maioria das hérnias umbilicais seja inofensiva, vale acompanhar o tamanho ao longo do tempo e levar o assunto às consultas de rotina — hérnias muito grandes ou que não mostram sinais de redução após os 2 anos costumam ser encaminhadas para avaliação cirúrgica especializada.
O que NÃO fazer
Não tentar empurrar o abaulamento de volta para dentro por conta própria;
Não usar faixas, moedas ou qualquer objeto apertado sobre o umbigo na tentativa de "resolver" a hérnia — essa prática antiga não tem eficácia comprovada e pode machucar a pele do bebê;
Não se alarmar com o tamanho do abaulamento durante o choro — ele costuma parecer maior nesses momentos, mesmo em hérnias pequenas;
Não adiar as consultas de puericultura, que são o momento certo para o pediatra acompanhar a evolução.
Quando é uma emergência
Se o abaulamento fica endurecido, muito dolorido ao toque, muda de cor (avermelhado ou arroxeado), ou o bebê apresenta vômitos, choro intenso persistente e recusa alimentar associados, procure atendimento médico imediato — esses sinais podem indicar encarceramento da hérnia, uma complicação rara mas séria, em que parte do intestino fica presa e tem a circulação comprometida.
Quando a cirurgia é indicada
Na maioria dos casos, o tratamento é apenas observação, já que a hérnia tende a fechar sozinha. A cirurgia costuma ser considerada quando a hérnia persiste além dos 4-5 anos de idade, quando é muito grande desde o início, ou em casos de complicação como o encarceramento descrito acima. É um procedimento relativamente simples e com bons resultados quando indicado pelo especialista.
Acompanhamento nas consultas de rotina
A
puericultura é o momento ideal para o pediatra examinar a região umbilical e acompanhar a evolução da hérnia ao longo dos meses, junto com outros aspectos do desenvolvimento do bebê. Vale sempre mencionar qualquer mudança percebida em casa, mesmo que pareça pequena.
Cuidados com o coto umbilical antes da hérnia
Vale diferenciar a hérnia umbilical dos cuidados do período de cicatrização do
coto umbilical do recém-nascido, que ocorre nas primeiras semanas e é uma fase distinta — a hérnia costuma ser percebida depois que o coto já caiu e a região já cicatrizou completamente.
Outras condições que também geram abaulamentos
Vale lembrar que nem todo abaulamento na barriga do bebê é hérnia umbilical — a
diástase do reto abdominal, por exemplo, é uma condição relacionada mas distinta, mais associada ao pós-parto materno do que ao bebê. Cada situação exige avaliação e acompanhamento próprios.
Não deixe de acompanhar o restante da saúde do bebê
Enquanto observa a hérnia, mantenha em dia o
calendário de vacinas do bebê e fique atenta a outros sinais comuns nos primeiros anos, como episódios de
febre, que também costumam ser motivo de dúvida frequente entre os pais de primeira viagem. Observar as
características das fezes do bebê também ajuda a identificar precocemente qualquer alteração que mereça atenção médica, incluindo esforço excessivo para evacuar, que pode deixar o abaulamento da hérnia mais evidente.
Assim como acontece com muitos aspectos do desenvolvimento infantil, a paciência e a observação atenta, sem ansiedade excessiva, costumam ser as melhores aliadas dos pais nessa fase. A hérnia umbilical, na esmagadora maioria dos casos, é apenas mais uma etapa passageira do crescimento do bebê.
Diferenças entre hérnia umbilical e outras condições da parede abdominal
É comum que pais confundam a hérnia umbilical com outras condições da região abdominal do bebê, por isso vale entender as diferenças básicas: a hérnia umbilical envolve especificamente a área do umbigo, é macia ao toque e reduz espontaneamente quando o bebê está relaxado. Já outras alterações da parede abdominal, mais raras, costumam ter características diferentes e apresentação já perceptível ao nascimento, sendo identificadas ainda na maternidade pela equipe médica.
De qualquer forma, o acompanhamento pediátrico regular continua sendo a ferramenta mais importante para diferenciar o que é uma variação esperada do desenvolvimento do que realmente exige atenção especializada — por isso vale sempre priorizar as consultas de rotina, mesmo quando tudo parece estar bem em casa.
Sinal | Costuma ser esperado | Vale avaliação |
|---|---|---|
Abaulamento macio que aumenta ao chorar | Sim | — |
Persiste além dos 2 anos | Não | Sim |
Endurecido, dolorido, muda de cor | Não | Sim, emergência |
Vômitos + choro intenso associados | Não | Sim, emergência |
Observar o tamanho do abaulamento ao longo do tempo
Nunca usar faixas ou objetos para tentar reduzir a hérnia
Mencionar a hérnia nas consultas de puericultura
Procurar emergência se houver dor, endurecimento ou mudança de cor
Convivendo com a hérnia até a resolução
Enquanto a hérnia não se resolve sozinha, ela normalmente não interfere nas atividades do bebê — ele pode ser banhado, vestido e manuseado normalmente, sem restrições. A principal orientação é observação atenta e acompanhamento médico regular, sem necessidade de mudar a rotina de cuidados básicos, como o
banho do bebê, que segue exatamente o mesmo passo a passo recomendado para qualquer bebê.
Vale lembrar que fatores que aumentam a pressão abdominal, como episódios de
constipação intestinal na criança, podem deixar o abaulamento mais evidente durante o esforço para evacuar — isso não piora a hérnia em si, mas reforça a importância de manter o intestino funcionando bem.
Continue lendo: Puericultura: para que servem as consultas, Cuidados com o coto umbilical do recém-nascido, Diástase do reto abdominal no pós-parto, Banho do bebê: guia passo a passo seguro, Como escolher o pediatra do bebê: guia prático e Marcos do desenvolvimento: primeiro ano do bebê.
