A criança acorda reclamando que dói para engolir, recusa o lanche que sempre aceitava e, ao olhar a garganta com a lanterninha, você vê tudo vermelho ou até pontinhos brancos. Dor de garganta é uma das queixas mais comuns da infância, e a primeira pergunta de toda mãe costuma ser: será amigdalite?
Neste artigo você vai entender o que é a amigdalite, como diferenciar uma causa viral de uma bacteriana, o que ajuda em casa, quais sinais pedem atenção e quando levar ao pediatra. Se a dor de garganta vem junto com temperatura alta, vale reler também o guia sobre febre no bebê e quando se preocupar.
O que é a amigdalite e por que a garganta da criança dói
As amígdalas são duas pequenas estruturas no fundo da garganta que fazem parte da defesa do corpo. Quando inflamam, ficam vermelhas e inchadas, e engolir passa a doer. Isso é a amigdalite, que pode vir sozinha ou junto com um resfriado.
Na infância ela é muito frequente, principalmente quando a criança começa a conviver com outras na escolinha. Muitas vezes o quadro começa com o nariz entupido e a tosse e só depois a garganta passa a incomodar.
Viral ou bacteriana: como saber?
A maioria dos casos de dor de garganta em crianças é causada por vírus, os mesmos do resfriado comum. Uma parte menor é causada por bactérias, e só o pediatra consegue avaliar qual é o caso, examinando a garganta e, quando necessário, pedindo um teste rápido ou outros exames. Por isso, não dá para decidir sozinha olhando para as placas brancas.
Característica | Mais comum no quadro viral | Mais comum no quadro bacteriano |
|---|---|---|
Outros sintomas | Coriza, tosse, rouquidão, olho vermelho | Pouca ou nenhuma tosse e coriza |
Febre | Baixa ou moderada, melhora em poucos dias | Costuma ser mais alta e de início rápido |
Dor ao engolir | Leve a moderada | Intensa, a criança recusa até a saliva |
Pescoço | Pode ter ínguas pequenas | Ínguas doloridas no pescoço |
Idade | Qualquer idade | Mais comum a partir dos 3 a 5 anos |
Quem decide o cuidado | Pediatra | Pediatra |
Essa tabela é só um guia de conversa com o médico. Quadros virais e bacterianos se parecem muito, e é o pediatra quem define o cuidado. Nunca dê remédio por conta própria nem use sobras de tratamentos antigos: o uso errado pode atrapalhar o diagnóstico e fazer mal.
Como cuidar da criança em casa enquanto o pediatra avalia
Ofereça líquidos com frequência, em pequenos goles: água, água de coco, sucos naturais sem açúcar e caldos mornos.
Prefira alimentos frios, pastosos ou macios, como vitaminas, iogurte, sorvete de frutas, purês, mingaus e gelatina.
Evite comidas duras, secas, ácidas ou muito temperadas, que arranham a garganta.
Deixe a criança descansar e dormir mais; o corpo precisa de energia para se defender.
Mantenha o ar do ambiente confortável e, se o nariz estiver entupido, siga as dicas de como aliviar o nariz entupido.
Lave bem as mãos e separe copos e talheres para não passar a infecção adiante.
A temperatura merece atenção especial. O texto sobre febre no bebê explica como medir, o que observar e quando ligar para o médico. Quem decide se e qual remédio usar, e em que quantidade, é sempre o pediatra.
A criança não quer comer: o que fazer?
É comum a criança com garganta inflamada recusar a comida. Nesses dias, o mais importante é a hidratação, e não o prato cheio. Ofereça pouco e várias vezes, sem forçar e sem negociar. O apetite volta quando a dor passa. Se a recusa se arrasta por muito tempo, veja também o artigo sobre a criança que não quer comer.
Fique de olho na quantidade de xixi. Fraldas ou idas ao banheiro bem mais raras, boca seca e choro sem lágrimas são sinais de desidratação, assunto tratado em diarreia no bebê e desidratação.
Semáforo da dor de garganta e da amigdalite: o que é esperado, o que observar e quando procurar ajuda
Sinal tranquilizador: a criança tem dor leve ao engolir, febre baixa que cede, aceita líquidos e alimentos macios, brinca um pouco e melhora a cada dia.
Sinal de atenção: a dor é forte, a febre persiste por mais de dois dias ou volta, a criança recusa quase tudo, surgem ínguas dolorosas, placas na garganta ou manchas pelo corpo. Marque consulta com o pediatra o quanto antes.
Sinal de alerta: baba excessiva, dificuldade para respirar, voz abafada, rigidez ou dor ao mexer o pescoço, recusa total de líquidos, muita sonolência ou prostração. Procure um pronto atendimento imediatamente.
Quando levar ao pediatra
Leve a criança à consulta se a dor de garganta durar mais de dois ou três dias, se vier com febre alta, se for muito intensa ou se a criança tiver menos de três anos e estiver abatida. Em bebês pequenos, qualquer febre com sinais de doença merece avaliação, como mostra o guia de sinais de bronquiolite, quadro respiratório que também exige atenção.
Se houver rouquidão intensa e tosse que lembra latido, pode ser outra condição, descrita em crupe e laringite viral. E quando a garganta dói junto com feridinhas na boca e nas mãos, leia sobre a doença mão-pé-boca.
Amigdalite de repetição e ronco: é caso de investigar?
Algumas crianças têm vários episódios por ano. Nesses casos, o pediatra pode pedir avaliação de um otorrinolaringologista, que verifica o tamanho das amígdalas e de outras estruturas. Também vale conversar se o filho ronca muito ou dorme de boca aberta; o artigo sobre ronco e apneia do sono infantil ajuda a entender quando investigar.
A decisão sobre cirurgia ou qualquer tratamento é sempre médica, depois de avaliar a frequência dos episódios e o impacto na vida da criança. Anote datas, febre e sintomas de cada crise para levar à consulta.
Prevenção e rotina de cuidado
Não existe garantia de que a criança nunca terá dor de garganta, mas hábitos simples ajudam: lavar as mãos, manter a vacinação em dia, como no calendário de vacinas, arejar os ambientes e garantir noites bem dormidas. O sono adequado fortalece o corpo todo.
Cuidar de uma criança doente cansa, e a mãe também precisa descansar e pedir ajuda ao marido e à família. Uma oração em silêncio, ao lado da cama do filho, costuma trazer calma para atravessar a madrugada.
Checklist de cuidados com a dor de garganta
Oferecer líquidos em pequenos goles ao longo do dia
Escolher alimentos frios, macios ou pastosos
Deixar a criança descansar
Não dar remédio sem orientação do pediatra
Anotar febre, horários e sintomas para a consulta
Ficar atenta aos sinais do semáforo acima
A maioria das dores de garganta passa em poucos dias com descanso, líquidos e carinho. Observar com calma, conversar com o pediatra e não se culpar fazem parte do cuidado, e você conhece seu filho melhor do que ninguém.
Continue lendo: Febre no bebê, Otite no bebê, Tosse no bebê e na criança, Crupe e laringite viral, Doença mão-pé-boca na criança e Como escolher o pediatra do bebê.
