Perto do fim da gravidez, entre as consultas de pré-natal, aparece um pedido de exame que muita gestante estranha: a cultura para o estreptococo do grupo B, também chamado de GBS. O nome assusta, a sigla confunde e a dúvida vem logo: será que eu fiz algo errado, será que meu bebê corre risco?
Este artigo explica o que é essa bactéria, por que ela costuma ser procurada entre 35 e 37 semanas, como é a coleta, o que muda no parto quando o resultado é positivo e quais sinais merecem atenção. Se você está organizando a reta final, vale conferir também os exames do terceiro trimestre, que mostram onde esse teste se encaixa.
O que é o estreptococo do grupo B
É uma bactéria que vive de forma natural no intestino e, em muitas mulheres, também na região vaginal e retal. Na maioria das vezes ela não causa sintoma nenhum, e a mulher pode carregá-la sem saber. Segundo o CDC, centro de controle de doenças dos Estados Unidos, cerca de uma em cada quatro gestantes tem a bactéria em algum momento da gravidez.
Ter o GBS não é falta de higiene, não é doença sexualmente transmissível e não indica descuido seu. A presença vem e vai ao longo da vida, e por isso o resultado de uma gestação anterior não vale para a atual. O corrimento na gravidez também não permite adivinhar quem tem ou não a bactéria: só o exame mostra.
Por que a bactéria preocupa na hora do parto
O cuidado existe por causa do recém-nascido. Durante o trabalho de parto, o bebê pode entrar em contato com a bactéria ao passar pelo canal vaginal. Na maior parte das vezes não acontece nada, mas em poucos casos ele pode desenvolver infecção grave nos primeiros dias de vida, como sepse, pneumonia ou meningite.
Por isso a conduta é preventiva: descobrir quem carrega a bactéria e oferecer antibiótico na veia durante o trabalho de parto. Essa estratégia reduziu muito os casos graves nos recém-nascidos, de acordo com o CDC e com o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG).
Quando e como é feito o exame
A coleta costuma ser indicada entre 35 e 37 semanas de gestação, de acordo com a orientação do seu obstetra e do protocolo local. O momento é escolhido porque o resultado precisa refletir a situação perto do parto: um teste feito semanas antes pode ficar desatualizado.
É um cotonete (swab) passado na parte final da vagina e na região do ânus, rápido e sem dor forte.
A coleta pode ser feita pela própria gestante ou pelo profissional, conforme o serviço.
O material vai para cultura em laboratório, e o resultado costuma sair em alguns dias.
Evite usar creme, óvulo ou ducha vaginal antes do exame, a menos que o obstetra mande.
Peça o resultado impresso e leve na bolsa da maternidade, junto com o cartão da gestante. Assim a equipe do hospital sabe a sua situação mesmo se você chegar de madrugada ou em outro serviço. O guia da bolsa de maternidade ajuda a montar essa lista.
Deu positivo: o que muda no parto
Resultado positivo não significa que o bebê vai adoecer nem que o parto precisa ser cesárea. Significa que, ao começar o trabalho de parto ou ao romper a bolsa, a equipe oferecerá antibiótico pela veia, geralmente a penicilina, em intervalos até o nascimento. O ideal é que a primeira dose seja feita algumas horas antes do parto, por isso é importante não demorar para ir à maternidade.
Não adianta tomar antibiótico por boca antes do parto para eliminar a bactéria: ela costuma voltar.
Se você tem alergia a penicilina, avise o obstetra com antecedência, porque existem alternativas.
Se a bactéria apareceu em um exame de urina em qualquer fase da gravidez, a equipe também costuma oferecer o antibiótico no parto.
Quem teve uma infecção urinária na gestação deve lembrar o obstetra do resultado das culturas.
Em cesárea marcada, sem trabalho de parto e sem bolsa rota, em geral o antibiótico para o GBS não é necessário; o obstetra confirma.
A escolha entre os tipos de parto segue critérios obstétricos, não o resultado do GBS. Se você quer entender esse tema, leia como decidir entre cesárea ou parto normal com o seu médico.
Resultado negativo, não coletado ou bebê prematuro
Situação | O que costuma acontecer | Conversa com o obstetra |
|---|---|---|
Cultura negativa entre 35 e 37 semanas | Em geral não precisa de antibiótico para o GBS | Guardar o resultado na bolsa da maternidade |
Cultura positiva | Antibiótico na veia durante o trabalho de parto | Informar alergias a antibióticos |
Exame não feito ou sem resultado | A equipe avalia fatores de risco e pode oferecer antibiótico | Levar o que tiver de exames ao hospital |
Trabalho de parto antes de 37 semanas | O antibiótico costuma ser oferecido até se saber o resultado | Ir sem demora; veja os sinais de parto prematuro |
Bolsa rota há muitas horas | Antibiótico costuma ser indicado | Procurar a maternidade assim que a bolsa romper |
Se a bolsa romper ou as contrações ficarem regulares antes do tempo, não espere. O texto sobre a bolsa rompida na gravidez e o guia dos sinais de trabalho de parto prematuro explicam o que observar.
Semáforo do estreptococo B: o que é esperado, o que observar e quando procurar ajuda
Sinal tranquilizador: a gestante não sente nada, a cultura foi colhida no prazo combinado com o obstetra, o resultado está na bolsa da maternidade e, se for positivo, a equipe já sabe que o antibiótico será oferecido no parto.
Sinal de atenção: o resultado ainda não saiu perto das 37 semanas, você tem alergia a penicilina e ainda não avisou o obstetra, ou apareceu ardência ao urinar. Fale com o pré-natal ainda hoje.
Sinal de alerta: a bolsa rompeu, há contrações regulares, febre ou sangramento, e depois do parto o bebê está muito molinho, com febre, gemendo, sem querer mamar ou com a respiração difícil. Procure atendimento imediatamente.
Como cuidar do bebê depois do nascimento
Mesmo com todo o cuidado, os pais precisam conhecer os sinais de infecção no recém-nascido, que podem surgir nas primeiras horas ou, mais raramente, nas primeiras semanas. Febre, queda da temperatura, choro fraco ou diferente, recusa do peito, sonolência demais, pele pálida ou azulada e dificuldade para respirar pedem avaliação médica na hora.
Se a equipe informou que você teve GBS positivo, o pediatra da maternidade pode observar o bebê por mais tempo e orientar sobre exames. Aprender a ler a febre no bebê e conhecer as pausas e ruídos da respiração do recém-nascido traz segurança nessas primeiras noites.
O aleitamento também ajuda no cuidado do bebê, e ter apoio em casa permite que você descanse. Se precisar de orientação sobre as primeiras mamadas, veja as dificuldades na amamentação nas primeiras semanas.
Perguntas para levar à próxima consulta
Em que semana a cultura será colhida e onde faço o exame?
Quando o resultado fica pronto e como recebo o laudo?
Se der positivo, como será o antibiótico durante o trabalho de parto?
Tenho alguma alergia que precise ser anotada no cartão da gestante?
Quais são os sinais para ir à maternidade? Conversar sobre isso junto com o plano de parto ajuda a ficar tranquila.
Lembre que cada gestação é única, e a conduta pode variar conforme histórico, idade gestacional e protocolo do serviço. Esse artigo é informativo e não substitui a consulta. Se o medo do parto estiver pesando, leia como enfrentar o medo do parto.
Checklist do exame de estreptococo B
Perguntar ao obstetra a semana certa da coleta
Fazer a cultura no prazo combinado
Pegar o resultado impresso e guardar na bolsa da maternidade
Avisar sobre alergia a antibióticos
Combinar quando ir à maternidade
Ficar atenta aos sinais do semáforo acima
O estreptococo do grupo B é comum, tem exame simples e uma prevenção muito eficaz. Com o teste feito no momento certo e a equipe informada, a imensa maioria dos bebês nasce e vai para casa saudável. Cuide de você, siga o pré-natal e confie na equipe que te acompanha.
Continue lendo: Exames do terceiro trimestre, Terceiro trimestre da gestação, Bolsa rompida na gravidez, Sinais de trabalho de parto prematuro, Bolsa de maternidade e Plano de parto.
