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    Amamentação

    Pega correta: como amamentar sem dor desde o início

    A maioria dos casos de dor e fissura começa com uma pega superficial. Aprenda a identificar a pega correta em passos simples.

    Andressa Danello5 min de leitura
    Mãe sorrindo segurando o bebê ao peito em casa, com recato

    Mãe sorrindo segurando o bebê ao peito em casa, com recato

    Se a amamentação está doendo a cada mamada, isso não é frescura sua e também não significa que você não serve para isso. Na grande maioria dos casos, é a pega. O bebê nasce sabendo sugar, mas a pega correta é algo que vocês dois, mãe e bebê, aprendem juntos nos primeiros dias.

    Este artigo vai direto aos sinais visuais que mostram se a pega está boa, o que ajustar quando não está, e em que ponto vale parar de tentar sozinha e pedir ajuda.

    O que é a pega correta e por que ela importa

    Pega correta significa que o bebê abocanha não só o bico do peito, mas boa parte da aréola, principalmente a parte de baixo. Isso faz com que a língua e a mandíbula comprimam os ductos de leite de forma eficiente, sem machucar o mamilo. Quando o bebê pega só a ponta do bico, ele até consegue sugar, mas com muito mais esforço e muito menos leite saindo.

    É esse tipo de pega que costuma causar dor, fissura e a sensação de que o leite não é suficiente, quando na verdade o problema é técnico, não de produção — o mesmo raciocínio vale quando a dúvida é sobre um possível estirão de crescimento confundido com falta de leite.

    Como está a sua pega hoje? Um semáforo para você

    Certo

    boca bem aberta, queixo no peito, nariz livre e sem dor depois dos primeiros segundos.

    Atenção

    dor que dura a mamada inteira e mamilo que sai achatado, em formato de batom.

    Alerta

    pega que machuca, racha o mamilo ou sangra, ou um bebê que parece sempre insatisfeito depois de mamar.

    Como ajustar a pega, passo a passo

    1. Espere o bebê abrir bem a boca antes de aproximá-lo do peito, sem forçar.

    2. Aponte o mamilo em direção ao céu da boca dele, não direto para o centro.

    3. Leve o bebê até o peito pelo corpo todo, não apenas girando a cabeça.

    4. Confira se o queixo encostou primeiro, antes do nariz.

    5. Se doer além da fisgada inicial, interrompa a sucção com o dedo mínimo e tente novamente.

    6. Repita com calma. Cada tentativa ensina vocês dois um pouco mais.

    Mãe amamentando o bebê com pano cobrindo a região, momento da pega correta

    Posições que facilitam a pega

    Na posição tradicional de embalo, o bebê fica deitado de lado, barriga com barriga, com a cabeça apoiada no antebraço. A posição invertida, chamada de jogador de futebol americano, passa o corpo do bebê por baixo do seu braço e costuma ajudar depois de uma cesárea, porque tira o peso do bebê da barriga. A amamentação deitada é ótima para mamadas noturnas, quando o sono do recém-nascido ainda não tem horário certo.

    Dica

    Leve o bebê até o peito, e não o peito até o bebê. Curvar o corpo para a frente por vinte minutos, várias vezes ao dia, é o que mais cansa as costas e o pescoço.

    Pega correta x pega incorreta, lado a lado

    Sinal

    Pega correta

    Pega incorreta

    Boca do bebê

    Bem aberta, tipo bocejo

    Pouco aberta, de bico

    Aréola visível

    Mais embaixo da boca que em cima

    Igual dos dois lados ou quase toda visível

    Som

    Deglutição audível, o gole

    Estalos ou sucção rápida e curta

    Dor

    Leve no início, depois passa

    Constante, do início ao fim

    Mamilo ao sair

    Redondo

    Achatado, em formato de batom

    Quando a dor persiste mesmo ajustando a pega

    Às vezes a técnica está correta e a dor continua. Vale investigar outras causas comuns: candidíase mamária, que causa uma dor em fisgada mesmo fora da mamada; ingurgitamento, quando o peito fica empedrado e dificulta a pega; ou um possível frênulo lingual curto, identificado no teste da linguinha, que limita o movimento da língua do bebê durante a sucção.

    Se a dor vier acompanhada de febre, vermelhidão ou uma área endurecida e dolorida no peito, vale investigar sinais de mastite, que costuma exigir tratamento rápido.

    Alerta

    Procure ajuda se você notar: dor intensa que não melhora após alguns dias tentando ajustar, rachadura que sangra, febre, vermelhidão ou dor em pontos específicos do peito, ou um bebê que parece sempre insatisfeito após mamar.

    Amamentação e volta à rotina

    Uma vez que a pega está confortável, muitas mães se perguntam como manter a amamentação quando a rotina muda, seja pela volta ao trabalho, seja pela necessidade de deixar leite guardado. Nesses casos, entender o bombeamento e o estoque de leite desde cedo evita correria de última hora.

    Dúvidas comuns sobre a pega nos primeiros dias

    Muitas mães perguntam se a pega precisa ser perfeita desde a primeira mamada. Não precisa. A descida do leite costuma acontecer entre o segundo e o quarto dia, e é normal que mãe e bebê ainda estejam ajustando a técnica nesse período, mesmo com o colostro já sendo suficiente para o recém-nascido.

    Outra dúvida frequente é sobre o uso de bicos de silicone (protetores de mamilo) para aliviar a dor enquanto a pega não melhora. Eles podem ajudar em situações pontuais, mas o ideal é usá-los com orientação, porque o uso prolongado às vezes dificulta que o bebê aprenda a pega direto no peito. Vale a mesma cautela recomendada para amamentação com prótese ou após redução mamária: cada situação pede um acompanhamento específico.

    Checklist de autoavaliação

    Marque os itens que você consegue confirmar hoje:

    • A boca do bebê fica bem aberta antes de pegar o peito.

    • O queixo encosta no peito e o nariz fica livre.

    • A dor, quando existe, é só no começo e passa rápido.

    • Eu ouço o bebê engolindo, não apenas sugando rápido.

    • O mamilo sai redondo da boca do bebê, não achatado.

    Se você marcou menos de quatro itens, vale revisar a pega usando o passo a passo acima e considerar apoio profissional se a dor continuar.

    O que esperar

    A pega melhora com prática e paciência. Algumas duplas acertam em poucos dias, outras levam algumas semanas com pequenos ajustes. O importante é não atravessar a fase com dor: ajustar o encaixe, descansar a pele e buscar ajuda quando necessário são atitudes de cuidado, não de fracasso.

    Se você está nos primeiros dias, também pode gostar de ler sobre mamilos planos ou invertidos e sobre o puerpério, a fase inteira de adaptação que vem junto.

    Continue lendo: Bombeamento e estoque de leite, Gases e cólicas do bebê, Sono do recém-nascido, Desmame com gentileza, Livre demanda e Amamentação de gêmeos.

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    Sobre a autora

    Andressa Danello

    Olá! Eu sou a Andressa Danello, mãe de três meninas: a Celina, de 3 anos, a Isabel, de 4 meses, e a Maria Teresa, que mora no céu. Sou casada com o Bruno Danello, orientador familiar com foco em paternidade, e é com ele que divido a vida, a casa e a criação das meninas. Escrevo no Vocação de Mãe com a honestidade que eu mesma procurava quando me tornei mãe: informação confiável, acolhimento sem julgamento e espaço para todas as emoções — inclusive as difíceis. A partida da nossa Maria Teresa mudou completamente a minha vida e, por incrível que pareça, para melhor: me aproximei ainda mais dos bons valores e das virtudes. Falar sobre isso, com leveza e verdade, é também uma forma de cuidar de quem atravessa o mesmo caminho. Neste espaço, você também vai encontrar boas reviews e indicações de produtos pensados para as mães — aquilo que de verdade ajuda a melhorar a rotina da família, a casa e o dia a dia. Só o que vale a pena, sem lista infinita de enxoval. Aqui, nenhuma mãe precisa se sentir sozinha: se o seu dia foi longo, se o bebê não dormiu, se o coração está apertado, você está no lugar certo.

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