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    Amamentação

    Teste da linguinha: o que é o frênulo lingual curto e como ele afeta a amamentação

    Um exame simples, obrigatório por lei, pode explicar dores e dificuldades na amamentação desde os primeiros dias

    Andressa Danello6 min de leitura
    Mãe amamentando o bebê com carinho em ambiente interno acolhedor

    Mãe amamentando o bebê com carinho em ambiente interno acolhedor

    Muitas mães enfrentam dor intensa para amamentar, mesmo depois de ajustar a posição e a pega várias vezes, sem entender o motivo. Em boa parte desses casos, a causa está em um detalhe pequeno, mas importante: o frênulo lingual, aquela membrana fina embaixo da língua, pode estar mais curto ou mais preso do que o esperado, limitando o movimento da língua do bebê durante a mamada.

    O teste da linguinha existe justamente para identificar essa condição, chamada anquiloglossia, ainda nos primeiros dias de vida. Este artigo explica como funciona o exame, por que ele é obrigatório por lei no Brasil e o que fazer se o resultado indicar alteração.

    O que é o teste da linguinha

    É um exame simples e rápido, feito ainda na maternidade, que avalia a mobilidade da língua do bebê e a inserção do frênulo lingual. No Brasil, ele é obrigatório por lei (Lei 13.002/2014) e costuma ser realizado no mesmo período do teste do pezinho, antes da alta hospitalar.

    Certo

    O teste é indolor e leva poucos minutos. O profissional observa o formato da língua, o movimento ao chorar e a inserção do frênulo, usando um protocolo padronizado de avaliação.

    Como o frênulo curto afeta a amamentação

    Quando o frênulo lingual é curto ou está inserido muito próximo à ponta da língua, o bebê tem dificuldade para elevar e projetar a língua durante a mamada, o que compromete a

    pega correta. Isso pode gerar dor intensa para a mãe,

    bico rachado ou fissura no mamilo, mamadas muito longas e ineficientes, e até baixo ganho de peso do bebê, já que ele não consegue retirar o leite de forma eficaz.

    • Dor persistente durante toda a mamada, mesmo com a pega aparentemente correta;

    • Bebê que solta o peito com frequência e parece frustrado durante a mamada;

    • Mamadas muito longas, mas com o bebê ainda parecendo faminto logo depois;

    • Ganho de peso mais lento do que o esperado nas consultas de puericultura;

    • Som de estalo repetido durante a sucção.

    Atenção

    Nem toda anquiloglossia causa dificuldade na amamentação — alguns bebês se adaptam bem mesmo com um frênulo mais curto. A avaliação de um profissional treinado é o que define se há necessidade de intervenção.

    O que fazer se o resultado for alterado

    1. O profissional que fez o teste (geralmente fonoaudiólogo, pediatra ou enfermeiro obstetra) explica o grau de limitação encontrado.

    2. Em casos leves, o acompanhamento pode incluir apenas orientação de posicionamento e observação da evolução do ganho de peso.

    3. Em casos que afetam significativamente a amamentação, pode ser indicada a frenotomia: um pequeno procedimento, rápido e com anestesia local (ou sem necessidade dela em recém-nascidos, dependendo do protocolo), que libera o frênulo.

    4. Depois do procedimento, a amamentação costuma ser retomada imediatamente, muitas vezes com melhora perceptível já na primeira mamada seguinte.

    5. O acompanhamento com fonoaudiologia pode continuar por um tempo, para garantir que o padrão de sucção se ajuste bem.

    Alerta

    Dor muito intensa que não melhora com ajustes de pega, associada a pouco ganho de peso do bebê, merece avaliação específica do frênulo lingual, mesmo que o teste da linguinha inicial não tenha identificado alteração — a avaliação pode ser refeita.

    Frênulo labial: outra variação a considerar

    Além do frênulo lingual, existe também o frênulo labial superior, a membrana que liga o lábio superior à gengiva. Quando ele é muito curto ou espesso, pode limitar o selamento dos lábios ao redor do peito durante a mamada, causando um som de "clique" e entrada de ar, o que também gera dor e ineficiência na retirada do leite.

    Assim como o frênulo lingual, essa avaliação é feita pelo profissional treinado, e a decisão sobre intervenção (chamada frenectomia labial) segue os mesmos princípios: só é indicada quando há impacto funcional real na amamentação, nunca apenas por uma característica anatômica isolada.

    E se eu já estou com dificuldades e não sei se é isso?

    Se a amamentação está dolorida e as orientações comuns de

    pega correta não resolveram, vale pedir uma reavaliação específica do frênulo lingual com um fonoaudiólogo, mesmo que o teste da linguinha já tenha sido feito na maternidade — a avaliação funcional durante a mamada às vezes revela mais do que o exame estático.

    Frênulo curto não impede o desenvolvimento da fala necessariamente

    Uma dúvida comum é se o frênulo curto vai afetar a fala da criança no futuro. Nem sempre — muitos casos leves não trazem nenhum impacto além da amamentação. Se houver alguma dificuldade de fala mais adiante, o acompanhamento é feito separadamente, como descrito no artigo sobre

    atraso de fala, que trata de sinais de alerta em uma fase posterior do desenvolvimento.

    • Confirmar se o teste da linguinha foi realizado ainda na maternidade

    • Observar sinais de dor persistente ou dificuldade de pega mesmo após ajustes

    • Acompanhar o ganho de peso do bebê nas consultas de puericultura

    • Buscar avaliação de fonoaudiologia se a dor não melhorar com orientações padrão

    • Não se culpar pela dor — o frênulo curto é uma causa física, não falta de técnica

    Quem faz a avaliação e o procedimento

    A avaliação do frênulo lingual pode ser feita por pediatras, enfermeiros obstetras treinados ou fonoaudiólogos especializados em amamentação, dependendo do protocolo da maternidade. Já a frenotomia, quando indicada, costuma ser realizada por pediatras, cirurgiões-dentistas especializados em bebês ou otorrinolaringologistas, variando conforme a região e o serviço de saúde disponível.

    É importante buscar um profissional com experiência específica nesse procedimento em recém-nascidos, já que a técnica e os cuidados pós-procedimento (como exercícios de estimulação da língua, em alguns protocolos) fazem diferença no resultado final para a amamentação.

    Amamentação depois da frenotomia

    A recuperação costuma ser rápida, e muitas mães relatam alívio da dor já nos primeiros dias. Manter o acompanhamento de

    pega correta continua importante mesmo depois do procedimento, já que o bebê está reaprendendo um novo padrão de movimento da língua. Se surgirem sinais de

    mastite ou

    ingurgitamento durante esse período de readaptação, vale buscar orientação para não interromper a amamentação sem necessidade.

    O teste da linguinha é uma das ferramentas mais simples e eficazes para prevenir dificuldades evitáveis na amamentação. Se você sente dor persistente, mesmo com a pega aparentemente correta, vale investigar essa possibilidade — muitas vezes a solução é mais simples do que parece.

    Confiar na equipe de saúde que acompanha o bebê, sem se culpar por dificuldades que têm causa física identificável, é parte importante desse processo. A amamentação com dor não é normal nem algo que deva ser simplesmente tolerado — buscar avaliação adequada é um cuidado tanto com o bebê quanto com a própria saúde física e emocional da mãe.

    Continue lendo: Pega correta ao amamentar, Bico rachado e fissura no mamilo, Mastite: sintomas, tratamento e como prevenir, Leite empedrado: o que fazer, Atraso de fala: quando procurar fonoaudióloga, Puericultura: para que servem as consultas, Mamilos planos ou invertidos, Amamentação de gêmeos, Icterícia no recém-nascido e Sono do recém-nascido.

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    Sobre a autora

    Andressa Danello

    Olá! Eu sou a Andressa Danello, mãe de três meninas: a Celina, de 3 anos, a Isabel, de 4 meses, e a Maria Teresa, que mora no céu. Sou casada com o Bruno Danello, orientador familiar com foco em paternidade, e é com ele que divido a vida, a casa e a criação das meninas. Escrevo no Vocação de Mãe com a honestidade que eu mesma procurava quando me tornei mãe: informação confiável, acolhimento sem julgamento e espaço para todas as emoções — inclusive as difíceis. A partida da nossa Maria Teresa mudou completamente a minha vida e, por incrível que pareça, para melhor: me aproximei ainda mais dos bons valores e das virtudes. Falar sobre isso, com leveza e verdade, é também uma forma de cuidar de quem atravessa o mesmo caminho. Neste espaço, você também vai encontrar boas reviews e indicações de produtos pensados para as mães — aquilo que de verdade ajuda a melhorar a rotina da família, a casa e o dia a dia. Só o que vale a pena, sem lista infinita de enxoval. Aqui, nenhuma mãe precisa se sentir sozinha: se o seu dia foi longo, se o bebê não dormiu, se o coração está apertado, você está no lugar certo.

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