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    Desenvolvimento infantil

    Teste da orelhinha e do olhinho: para que servem

    Saiba para que serve cada teste do recém-nascido, quando fazer, o que significa um resultado alterado e o que observar em casa.

    Andressa Danello8 min de leitura
    Recém-nascido dormindo tranquilo sobre tecido branco

    Recém-nascido dormindo tranquilo sobre tecido branco

    Nos primeiros dias de vida, enquanto você ainda se acostuma com o choro, a mamada e as noites picadas, a equipe da maternidade faz uma série de exames rápidos no seu bebê. Alguns são tão simples que passam quase despercebidos: uma luzinha no olho, um sensor no pezinho, um fone minúsculo no ouvido. Mesmo assim, cada um deles procura uma condição que, descoberta cedo, muda muito o futuro da criança.

    Neste artigo você vai entender para que servem o teste da orelhinha, o do olhinho, o do coraçãozinho e o da linguinha, quando fazer cada um, o que significa o bebê "falhar" e quais sinais observar em casa. Se quiser a visão completa dos exames do começo da vida, leia também sobre o teste do pezinho, que complementa esta triagem.

    Por que existe a triagem neonatal além do pezinho?

    Triagem não é diagnóstico. Ela separa os bebês que não precisam de nada além do acompanhamento de rotina daqueles que merecem uma investigação mais detalhada. O objetivo é encontrar cedo problemas de audição, de visão, do coração e da língua, justamente na fase em que o cérebro está aprendendo mais rápido.

    Cada teste é indolor, dura poucos minutos e pode ser feito com o bebê dormindo ou tranquilo no colo. Na maioria dos casos, o resultado é normal e a vida segue. Quando não é, o aviso chega cedo, e isso é uma vantagem enorme para o desenvolvimento do bebê no primeiro ano.

    Teste da orelhinha: como é feito e até quando fazer?

    O teste da orelhinha, ou triagem auditiva neonatal, usa as emissões otoacústicas. Uma sonda pequena e macia é colocada na entrada do ouvido, emite sons suaves e registra a resposta da cóclea, a parte interna da orelha. Não dói, não usa agulha e costuma ser feito com o bebê dormindo. A lei federal 12.303/2010 garante o exame gratuito nos hospitais e maternidades, e o SUS oferece o teste.

    O ideal é realizar o exame ainda na maternidade ou, no máximo, até o primeiro mês de vida. Se o bebê nasceu em casa ou o teste não foi feito antes da alta, procure a unidade de saúde ou o pediatra o quanto antes para pedir o encaminhamento. Quanto mais cedo uma perda auditiva é identificada, mais cedo começam o acompanhamento e a estimulação, o que faz diferença na fala e na linguagem.

    Teste do olhinho: o que o reflexo vermelho mostra?

    O teste do olhinho, ou teste do reflexo vermelho, é feito com um oftalmoscópio, aparelho que joga uma luz nos olhos do bebê em um ambiente escurecido. Em um olho saudável, a luz volta com um brilho avermelhado, parecido com o "olho vermelho" das fotos com flash. Esse reflexo indica que o caminho da luz até o fundo do olho está livre.

    Quando o reflexo é branco, ausente ou diferente entre os dois olhos, pode haver catarata congênita, alterações da retina ou outras condições que precisam de um oftalmologista. O teste deve ser feito antes da alta da maternidade e repetido nas consultas de rotina, como mostra o texto sobre as consultas de puericultura. Para outras dúvidas dos olhinhos, veja também o artigo sobre o estrabismo infantil.

    Teste do coraçãozinho e teste da linguinha: o que avaliam?

    O teste do coraçãozinho mede a oxigenação do sangue por oximetria de pulso, um sensor indolor colocado na mão e no pé do bebê. Ele é feito entre 24 e 48 horas de vida e ajuda a identificar algumas cardiopatias congênitas graves que, no começo, quase não dão sintomas. Saturação baixa ou muito diferente entre mão e pé pede avaliação complementar, geralmente com ecocardiograma.

    O teste da linguinha examina o frênulo, a pequena prega que prende a língua ao assoalho da boca. Um frênulo curto pode atrapalhar a pega e a mamada. A lei 13.002/2014 tornou o exame obrigatório nas maternidades. Para entender como ele se relaciona com a mamada, leia o guia sobre o teste da linguinha, o frênulo curto e a amamentação.

    Teste

    Quando fazer

    O que procura

    Como é

    Orelhinha

    Na maternidade ou até 1 mês

    Perda auditiva

    Sonda macia no ouvido, bebê dormindo

    Olhinho

    Antes da alta e nas consultas

    Catarata, alterações da retina

    Luz do oftalmoscópio, sala escura

    Coraçãozinho

    24 a 48 horas de vida

    Cardiopatias graves

    Sensor na mão e no pé

    Linguinha

    Primeiros dias de vida

    Frênulo curto

    Observação da boca e da língua

    Pezinho

    3º ao 5º dia de vida

    Doenças metabólicas e genéticas

    Gotas de sangue do calcanhar

    Se algum desses exames não aparece no relatório de alta do seu bebê, pergunte. É seu direito saber o que foi feito e o que ficou pendente.

    O bebê "falhou" no teste: o que isso quer dizer?

    Falhar na triagem não é o mesmo que ter o problema. Em muitos casos, o resultado alterado vem de situações passageiras: líquido ou vérnix no ouvido nos primeiros dias, bebê agitado, ruído na sala ou sensor mal posicionado. Por isso o protocolo é repetir o teste, em geral em até 15 a 30 dias, antes de qualquer conclusão.

    • Repetir o exame no prazo indicado, sem deixar para depois.

    • Se continuar alterado, seguir para o exame de confirmação com o especialista: audiologia no caso da audição, oftalmologia no caso dos olhos, cardiologia pediátrica no caso do coração.

    • Guardar o relatório do teste e levar à consulta com o pediatra.

    • Lembrar que bebês nascidos antes da hora têm mais chance de resultado alterado; veja mais sobre a prematuridade.

    Em todos os casos, a ansiedade é compreensível. Respire, converse com a equipe e peça que expliquem os próximos passos por escrito. A maioria dos bebês que repete o exame passa.

    Quais bebês têm mais risco e precisam de atenção redobrada?

    Alguns fatores aumentam a chance de alterações de audição ou de visão e pedem acompanhamento mesmo quando a triagem é normal.

    • Histórico de surdez ou de problemas de visão na família.

    • Prematuridade, baixo peso ao nascer ou internação em UTI neonatal.

    • Infecções na gestação, como citomegalovírus, toxoplasmose, rubéola ou sífilis.

    • Icterícia intensa que precisou de tratamento, como explica o texto sobre a icterícia do recém-nascido.

    • Uso de medicamentos que podem afetar a audição, sempre decididos pela equipe médica.

    Se o seu bebê se encaixa em algum desses grupos, converse com o pediatra sobre um calendário de reavaliações. Um resultado normal na maternidade não dispensa o olhar atento nos meses seguintes.

    Semáforo da audição e da visão do bebê: o que é esperado, o que observar e quando procurar ajuda

    Certo

    Sinal tranquilizador: o bebê se assusta ou se acalma com sons e com a sua voz, acompanha seu rosto de perto e, aos poucos, vira a cabeça para o lado de onde vem o barulho.

    Atenção

    Sinal de atenção: o bebê não reage a barulhos fortes, não se acalma com a sua voz, não segue um objeto ou o seu rosto depois de alguns meses, ou parece desviar os olhos com frequência; agende uma consulta com o pediatra nos próximos dias.

    Alerta

    Sinal de alerta: há brilho branco ou esbranquiçado na pupila nas fotos, olhos muito desalinhados que não melhoram, nenhuma resposta a sons ou cansaço, lábios arroxeados e dificuldade para respirar ao mamar. Procure atendimento médico imediatamente.

    Como observar em casa a audição e a visão do bebê?

    Os testes da maternidade são o primeiro passo, não o último. Em casa, você é a pessoa que mais convive com o bebê e quem percebe as pequenas mudanças. Converse, cante e olhe nos olhos dele todos os dias; além de fazer bem ao vínculo, isso mostra como ele responde. O texto sobre falar com o bebê explica por que essa conversa importa tanto.

    • Nas primeiras semanas, observe se ele pisca, se assusta ou para de mamar com um som alto e repentino.

    • Por volta dos 2 a 3 meses, veja se ele acompanha seu rosto ou um brinquedo colorido que se move devagar.

    • Aos poucos, note se ele vira a cabeça em direção à voz e se balbucia de volta.

    • Anote tudo o que chamar atenção e leve à consulta; as brincadeiras de estimulação precoce também ajudam a perceber o ritmo dele.

    Olhos remelentos ou lacrimejando muito costumam ter outra explicação, mais comum e simples; veja o texto sobre o olho remelando no bebê. Já o brilho branco na pupila, a leucocoria, nunca deve ser tratado como detalhe: vale avaliação rápida.

    Como organizar os exames e as consultas depois da alta?

    Antes de sair da maternidade, confira no resumo de alta quais testes foram feitos e quais ficaram pendentes. Guarde esse papel junto com a caderneta de vacinação, onde também fica o calendário de vacinas do bebê. Na primeira consulta com o pediatra, leve o relatório e pergunte o que falta.

    Já na gestação vale deixar uma pasta pronta. Na lista da bolsa de maternidade, inclua um espaço para documentos e para a caderneta, assim nada se perde no vai e vem dos primeiros dias.

    Checklist da triagem neonatal do meu bebê

    • Confirmar no relatório de alta se os quatro testes foram feitos

    • Agendar o teste da orelhinha até o primeiro mês, se ficou pendente

    • Pedir ao pediatra que repita o teste do olhinho nas consultas

    • Anotar a data e o resultado de cada exame na caderneta

    • Agendar o reteste dentro do prazo, se o resultado veio alterado

    • Ficar atenta aos sinais do semáforo acima

    Os testes da maternidade são um cuidado simples que protege o futuro do seu filho, e a maior parte dos bebês passa em todos eles. Se vier algum resultado alterado, lembre-se de que a descoberta cedo é uma bênção: ela abre caminho para ajudar na hora certa. Confie na equipe, mantenha as consultas em dia e siga observando o seu bebê com carinho.

    Continue lendo: Teste do pezinho, Teste da linguinha, Puericultura, Marcos do desenvolvimento no primeiro ano, Prematuridade e Conjuntivite no bebê e na criança.

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    Sobre a autora

    Andressa Danello

    Olá! Eu sou a Andressa Danello, mãe de três meninas: a Celina, de 3 anos, a Isabel, de 4 meses, e a Maria Teresa, que mora no céu. Sou casada com o Bruno Danello, orientador familiar com foco em paternidade, e é com ele que divido a vida, a casa e a criação das meninas. Escrevo no Vocação de Mãe com a honestidade que eu mesma procurava quando me tornei mãe: informação confiável, acolhimento sem julgamento e espaço para todas as emoções — inclusive as difíceis. A partida da nossa Maria Teresa mudou completamente a minha vida e, por incrível que pareça, para melhor: me aproximei ainda mais dos bons valores e das virtudes. Falar sobre isso, com leveza e verdade, é também uma forma de cuidar de quem atravessa o mesmo caminho. Neste espaço, você também vai encontrar boas reviews e indicações de produtos pensados para as mães — aquilo que de verdade ajuda a melhorar a rotina da família, a casa e o dia a dia. Só o que vale a pena, sem lista infinita de enxoval. Aqui, nenhuma mãe precisa se sentir sozinha: se o seu dia foi longo, se o bebê não dormiu, se o coração está apertado, você está no lugar certo.

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